
Uma das condições de ser humano é viver constantemente criando um roteiro baseado nas nossas experiências nos quais somos protagonistas e a única audiência. Criamos histórias para nós mesmos, para lidar com a falta de uma resposta para aquela pergunta perturbadora; “por quê estamos aqui mesmo, hein?”
Somos, então, nas nossas cabeças grandes aventureiros, vítimas das maiores tragédias imagináveis, protagonistas das comédias mais engraçadas. Usamos e editamos estas histórias para servir melhor a nós mesmos, justificarmos nossos erros e gostarmos um pouco mais de quem somos.
E, temos uma tendência nata a nos auto-rotular. Eu sou assim, assado. Quando na verdade, a grande maioria dos nossos rótulos não sobrevivem a uma mudança de referencial.
Acredito, em toda a minha ignorância e imaturidade, que o processo de amadurecimento acontece quando descobrimos que não nos conhecemos completamente. E que quem somos hoje, não necessariamente representa quem nós fomos ontem, ou seremos amanhã, mesmo mantendo o mesmo RG, CPF e título eleitoral.
E eu vejo pessoas se auto-rotulando, tentando criar, ou forçar mudanças em suas identidades ou aplicar conceitos e qualidades à sua pessoa. Tentando se convencer de que são e agem de determinada forma, ou usando os rótulos para justificar suas ações e suas falhas. Quando na verdade, de verdade, são apenas pessoas normais, que se parassem para pensar um pouco, talvez descobrissem o quanto esse comportamento de se auto-rotular é desnecessário e irrelevante.
Mas, ao ver os erros alheios, estou procurando aprender a reconhecer os meus erros, e não me rotular. Sei que é impossível fazê-lo, ainda mais na nossa sociedade que demanda explicações concretas para esse grande substantivo abstrato que chamamos de personalidade, mas estou tentando ao mesmo não criar rótulos para mim mesmo. E rir, quando digo uma lista de rótulos pra quem precisa deles para ter uma referência ou idéia de quem eu sou.
E, envelhecer também significa parar de se importar tanto com o rótulo, e passar a se preocupar cada vez mais com a data de validade.
Superficialmente,
Guilherme.
PS. Provavelmente uma galera não vai pensar no que leu e vai apenas me rotular de “gente, que cara louco”, em 5, 4, 3, 2…. Mas da última vez que fui rotulado assim veio em sequência um “mas é uma graça” de uma moça interessada e interessante, então acho válido.