É um sentimento estranho essa vergonha que eu sinto das minhas palavras e atitudes em relação à ela. Porque ela me diz que eu digo exatamente o que ela não quer ouvir, que eu coloco mais dúvidas na cabeça dela, e que eu não sei a fazer se sentir bem em relação às situações nas quais ela se mete.
Meu problema é valorizar a honestidade, a não colocar panos quentes e apontar os problemas existentes. Mostrar rachaduras em teorias, devaneios em sonhos, apontar as facas e mostrar o quanto são afiadas e podem causar cortes se forem usadas sem o devido cuidado.
Ela não sabe que eu já me cortei muito nessa vida, que eu me fecho em mim mesmo porque a maioria das vezes em que eu abri as portas, as salas permaneceram vazias. E eu vejo a criação de histórias, de ilusões e eu digo a verdade quase sempre cruel, caindo na minha vergonha própria ao machucar com as minhas palavras, quando na verdade era exatamente isso que eu queria evitar.
Não sei confortar as pessoas, não sei enxergar o que não está lá. Só sei me envergonhar de dizer exatamente o que não querem ouvir, e fazer o clima pesar.
E eu sigo desse jeito sem jeito. Criando angústias ainda maiores quando tudo que eu queria era abraçar e dizer que vai ficar tudo bem. Mesmo sabendo que até hoje, não ficou. E olha, cada vez me parece mais difícil que um dia as coisas vão ficar.
Desculpe ver as coisas de formas tão pretas e brancas, mas não tenho culpa de ter crescido nesse universo daltônico, nem de não ter cenários bonitos para mostrar nesse momento. Então talvez seja melhor não dirigir palavras, dúvidas e angústias aos meus ouvidos, já que eu não sei censurar minhas verdades duras como pedras, nem como consertar o que eu quebro com elas. Talvez a gente devesse apenas ficar aqui, em silêncio.
Desajeitadamente,
Guilherme.




